ANDRÉ Rangel

by Portugueselily Lnr May. 11, 2018 823 views
Fotografia captada em frente ao Teatro Politeama. Lisboa 2017

Fotografia captada em frente ao Teatro Politeama. Lisboa 2017

Antes do entretenimento: a espera feita encontro!

Eu estou aqui. Eu, tu, ele, nós. Aguardo por ti!... Estamos, simplesmente somos e estamos. Encontramo-nos e fazemos encontrar o comigo, o connosco e o contigo. Sejas tu ou quem quer que seja. Contudo, há sempre alguém. Há realmente encontro e reencontro, amado e desejado. Ontem, hoje e amanhã. Em cada amanhã, na infinitude dos dias. Sem colisão nem objeção. Sem infimidade, mas perenidade. Assim é o encontro que espera e faz esperar, que permite brotar e desabrochar em novo encontro, em nova flor. E sem britar, sempre com novo fulgor!

Este é o tempo – os das fotos, sejam selfies ou não –, e o desta foto em concreto, que nos sugere uma ponte de três pontos. Uma mão cheia de seres que se multiplica sucessivamente em muitos mais seres, com mãos cheias de vida e de dádiva, com sementes que fomentam energia e incrementam esperança, na juventude que ainda guardam e respiram dentro de si. São escudo e couraça. E o alicerce dessa fortaleza é o mesmo: o mote da fusão, nessa trilogia de termos/conceitos, está na letra comum inicial: o “E”. Esse “E” que se traduz em ESPERA, que se induz no ENCONTRO e que conduz para o ENTRETENIMENTO.
Um “E” que se transforma em ação e que, naturalmente, É verbo que vigora o seu acento no: Estar à espera, Existir/ser encontro e Exprimir entretenimento. O que hoje, muito vulgarmente, se chama “três em um”: três pontos triangulares que se unem e reúnem num só ponto – do «picar o ponto» (em modo pausa), com um ponto de encontro definido (marcação de presença), chega-se ao ponto recreativo.
Tudo parte e se comparte na docilidade da espera, nessa esperança dócil, atitude tão alfa e ómega, tão causa e efeito, tão nascente e poente: pois “quem espera sempre alcança!” e, porque, quem não espera, desespera. Essa Esperança que não morre, que vive vivendo e faz viver, e se reparte no ternamente e eternamente de todo o ser que quer ser em espera, em encontro e no entreter e entrelaçar da vida, levando dela o melhor que tem para nos aquecer e oferecer.
E, assim, o local – de todos e de cada um desses pontos convergidos neste retrato conjunto – se faz global pelo vértice da informação, ampliada pelo canal da divulgação e limada pelas arestas da unificação. Ela que é essa base que aproxima e encima as relações, apesar do “todos diferentes, todos iguais”. A via da comunicação, da comunhão e da cultura não passa indiferente ao ser humano, um ser em construção, que não quer estar só, que não foi “feito” para se isolar.
Ali, são todos iguais: não há silêncio nem ócio – numa imagem que fala por si –, não há muros nem barreiras, não há costas viradas mas rostos que se cruzam, não há discriminação nem violência, não há cores nem raças nem racismo numa uniformidade coerente e patente no “preto e branco” da objetiva, na equidade de sermos todos dignos de dignidade, de direitos e deveres, sustentados no desenvolvimento e no diálogo.
Ali está tudo, distante das constantes imagens sujas e carregadas de sensacionalismo, de impudor e de tragédia que nos impõe diária e exacerbadamente à frente, neste e nos outros mundos em que vivemos – o real, mesclado com o virtual, o do sonho vs. o da utopia e, provavelmente, um outro que está para vir, no incógnito devir, ou para até (re)nascer.
Ali está tudo, naquela simples imagem, de mulheres e homens maduros que sabem esperar, que sabem fazer encontro, que sabem escolher e que sabem como se entreter. Num mesmo clique e instante há o fundamental que fala sem voz, mas que se faz ouvir e sentir: há expressões, olhares, conversas, entrega, movimento, bem-estar, vontade, paixão…
Há sol naquelas vidas encostadas ao Solma, que são o sol de muitas outras vidas, naquele dia que se faz noite, entre outros tantos dias com outras mais pessoas. Vidas não encrostadas de stresse e de rancor, de impaciência e de inércia, ou de temor. Se, ainda dúvidas se levantam, é ver para crer. A imagem está ali, bem clara no seu escurecer, com gente de pé na sua humana verticalidade, erguida sem se rebaixar e enaltecida sem se elevar. Com gente que se deita e acorda, que não fica resignada e não se deixa ficar em casa parada, que trabalhou uma vida inteira e que, agora, desfruta daquilo que a emociona e do que a vida lhe proporciona.
Ali aguardam para a respetiva sessão das artes e do espetáculo, que em frente terá lugar, nesse mítico espaço lisboeta (o Teatro Politeama). Ali, do lado de lá – nessa gente trazida pela câmara –, está tudo… Enquanto, do lado de cá, pode acontecer que muito pouco ou nada fique, se a opção for enviusar e deturpar – como é apanágio de tantos de crítica fácil e na ponta da língua, adversários da mente aberta –, se esse lado de cá for o de quem olha e não vê, de quem apenas lê à superfície e não se deixa tocar. Ou, ainda, se ao não querer adentrar, deixar de refletir, foge do aprofundar e evita o partilhar.
E, para vazio de nada e de oco, já bastam tantos pontos da vida, sem vida, que são contracultura desses pontos essenciais subjazidos no «tri-E” e aqui já apresentados. Tais como, entre outros: riscos de hesitações e desesperos; pontos-fuga de interrogações e desencontros; e sarrabiscos de confusões e de falsos divertimentos…
Portanto, eis uma imagem – esta da fotografia –, que não se caracteriza absolutamente de estática nem de errática: o movimento gira e circula à volta desses cinco representantes simbólicos da Humanidade (no seu todo continental deste nosso planeta) e do ser-humanidade criado pelo Ser dos seres, a divindade, o verdadeiro Sol de toda e qualquer entidade e/ou comunidade. Uma imagem que é virtude, que eu definiria como centro e harmonia, como resultado à alusão óbvia e inerente do que significa o simbolismo do número 5 (que está no meio entre os números 1 e 9). E, de acordo com a numerologia, traduz-se em união e equilíbrio. Tal como esta imagem, que é como o algodão: não engana.
E neles (esses e quaisquer outros cinco), por eles e com eles estamos – todos nós, que somos amantes da vida –, em efetiva e criativa dinâmica sensorial, afetiva, motora, espiritual, cognitiva e psicossocial, nesta busca permanente anterior ao Entretenimento: a Espera feita Encontro!

André Rubim Rangel o Jornalista, o Professor, o Presidente da Associação para o Diálogo Multicultural!
É a pessoa simples com um coração enorme de tom azul forte do norte, genuína e trabalhadora, de um rigor inigualável em tudo o que faz...
Conhecer alguém como o André e chamá-lo de amigo é um privilégio... Por isso e por tudo: obrigada amigo!

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Portugueselily Lnr 1 year, 6 months ago

"...não há muros nem barreiras, não há costas viradas mas rostos que se cruzam, não há discriminação nem violência, não há cores nem raças nem racismo numa uniformidade coerente e patente no “preto e branco” da objetiva, na equidade de sermos todos dignos de dignidade, de direitos e deveres" palavras-chave de André Rubim Rangel. Um texto incrível e de leitura obrigatória!

1 year, 6 months ago Edited
Dexterxb Chuxuan Zhang 1 year, 6 months ago

👍👍👍

1 year, 6 months ago Edited
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